As idéias

Forjá-las pacientemente
Moldá-las esmeradamente
Gravá-las atentamente
Poli-las religiosamente
Mantê-las cuidadosamente
Afiá-las regularmente
Testá-las secretamente
Firmá-las gradativamente
Calá-las sabiamente
Portá-las distintamente
Exibi-las oportunamente
Empunhá-las confiantemente
Aplicá-las exatamente
Repeti-las incessantemente
Experimentá-las profundamente
Utilizá-las mortalmente.

(João Bandeira)

Interessante

*Gerhard Schumann compôs a partir de quadros de Francis Bacon;

*Philip Glass;

*Krizstof Penderecki é considerado o maior compositor vivo;

*Modeste Mussorgsky compôs "Quadros de uma exposição";

*Schubert foi o compositor que mais abordou o tema da morte. "A morte da donzela" - Munch;

*Bach; Brahms; Bruckner; Mahler;

*"A morte e a donzela", de Polansky (filme);

*"Minority Report", este filme do Steven Spielberg tem na trilha sonora um tema musical do primeiro movimento da oitava sinfonia de Schubert.

Filmes para a vida

Roma, città aperta (Roberto Rosselini);
Ladri di biciclette (Vittorio De Sica);
Rocco i suoi fratelli (Visconti);
La terra trema (Visconti);
Blowup (Antonioni);
Professione reporter (Antonioni);
Le amiche (Antonioni);
Kaos (Irmãos Taviani);
La notte di San Lorenzo (Irmãos Taviani);
Padre padrone (Irmãos Taviani);
Allonsanfàn (Irmãos Taviani);
O conformista (Bernardo Bertolucci);
Os boas-vindas (Frederico Fellini);
A árvore dos tamancos (Ermanno Olmi);
A estrada da vida (Frederico Fellini);
Il Bidone (Frederico Fellini);
Elogio do amor (Jean-Luc Godard);
Acossado (Jean-Luc Godard);
O demônio das onze horas (Jean-Luc);
Uma mulher para dois (François Truffaut);
Os incompreendidos (François Truffaut);
Hiroshima, meu amor (Alain Resnais);
A grande ilusão (Jean Renoir)
A regra do jogo (Jean Renoir);
Trinta nos essa noite (Louis Malle);
O samurai (Jean-Pierre Melville);
Era uma vez em Tóquio (Yasujiro Ozu);
Contos da lua vaga (Kenji Mizoguchi);
O intendente Sansho (Kenji Mizoguchi).

Se não puderes ser um pinheiro,
no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
o melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

(Pablo Neruda)

Fernando Pessoa

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo para se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para a sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo,
a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura".

Morre lentamente

Morre lentamente

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente...

(Pablo Neruda)

Paulo Vicente Konzen

O que é feito

O que é feito agora da nossa coragem?
Da nossa total insensibilidade
O que é feito agora de nós mesmos?
Dessa carranca na nossa cara
O que é feito dos nossos passos
Viraram pó frente ao infinito
Viraram nada frente ao magnânimo
O que é feito da nossa audácia?
Nada, viraram um nada
Diante desse novo tudo
Não viraram desgraça
Mas já também não há graça
Ah, o espaço do universo
Ah, a idéia do infinito
Ah, a idéia do holismo
Como isso nos afeta
O que é feito dos nossos defeitos?
Qual é o jeito de lidar com isso
Com nossos defeitos
Com nossas inquietudes
Com nossos passos tortuosos
Com nossos passos irriquietos
Com nossas perenes dúvidas
Com nossas incertezas certas
Com nossa vida incerta
Com nossas certezas incertas
Com nosso agora
Com nossa aflição
O que é feito de nós?
Da nossa humanidade?
Da nossa fragilidade?
O que é feito para atingirmos a tal felicidade?
Será suficiente?
Será elegante?
Será interessante?
O que é feito de tudo isso?

(Paulo Vicente Konzen)